Turismo da Juventude – Maria José Giaretta – Parte I

26 08 2007

Como prometido, aqui vão alguns trechos do livro que achei mais interessantes! 😉

 Antes, algumas frases que aparecem ilustrando capítulos durante a obra.

“Leva-se muito tempo para ser jovem.” Pablo Picasso

“Trago dentro do meu coração, como num cofre que não se pode fechar de cheio, todos os lugares onde estive, todos os portos a que cheguei, todas as paisagens que vi, sonhando e tudo isso é tanto, é pouco para o que quero” Fernando Pessoa

“No curso da viagem há sempre alguma transfiguração, de tal modo que aquele que parte não é nunca o mesmo que regressa.” Ítalo Calvino

“Viajar, para jovens, faz parte da educação: para adultos, faz parte da experiência.” Francis Bacon

“Andar por terras distantes e conversar com diversas pessoas torna os homens ponderados.” Miguel de Cervantes

“O meu objetivo é a amizade com o mundo inteiro.” Mahatma Ghandi

O primeiro trecho que me chamou atenção foram as diversas definições que diversos autores fazem a respeito do termo Turismo da Juventude. Deixo aqui escrito a que mais me agradou, do autor Antonio Pereira de Oliveira:

“Turismo praticado por jovens e estudantes que viajam, em geral, para comemorar término de cursos escolares. Trata-se de um público alegre, pouco exigente e com capacidade média de consumo, em geral atraído por locais que oferecem divertimentos noturnos. Apesas do consumo restrito, tornam-se importantes divulgadores do local visitado. Ao retornar para casa narram com entusiasmo os acontecimentos da viagem e acabam motivando pais e amigos a conhecerem os locais que visitaram.”

É fato que todo jovem procura divertimento nos lugares que visita, não somente os jovens como os adultos ou crianças ou idosos também. Mas os nossos divertimentos geralmente envolvem música, pessoas bonitas e simpáticas e bebidas alcoólicas!

Mas destaco mais ainda a última parte da citação que diz respeito do modo como os jovens contam sobre os lugares que conheceram. Quando algo dá errado no meio de uma grande viagem que deu certo, nós meio que desconsideramos o que deu errado, ficamos um pouco bravos com o acontecido, mas isso não faz com que percamos nosso entusiasmo a respeito da viagem e os relatos passam a ser muito mais interessantes e cativantes!

A pesquisadora Paula Abreu, “em pesquisa sobre turismo em Portugal, concluiu que os  motivos que levam os jovens a viajar são tantos do foro cultural (conhecer sociedades com hábitos, costumes e pessoas distintas das que povoam seu espaço cotidiano), como do foro emocional (o prazer da aventura, do risco, da água)”, portando o universo do turismo da juventude é bastante amplo, visto que cada jovem busca algo diferente, que satisfaça seu interior.

A respeito dos Escoteiros, o livro traz uma citação de Pio XII que diz:

“O movimento escoteiro quer trazer ordem e retidão à vida humana. Amor à natureza, sim, mas isento de fantasia e sentimentalismo doentio. Até mesmo o lazer, o passeio, o esporte, impôem a cada pessoa esclarecida deveres e responsabilidades particulares e não devem ser senão um complemento de uma forte e energética atividade na escola, no trabalho, em toda vida profissional. As próprias férias não são mais que a recompensa de um ano de trabalho sério e regular.”

De acordo com Giaretta, autora do livro Turismo da Juventude, esse movimento não é um movimento turístico, mas sim uma proposta educativa. Na minha opinião os escoteiros acabam por praticar turismo dentro de seu método educativo. Ou será que eles educam através do turismo? Será este um movimento PARA turismo ou PELO turismo?

Essa é uma discussão que a gente tem tido na Universidade. Se atividades têm sido desenvolvidas PARA o lazer (ou turismo) – como FINALIDADE; ou se são PELO lazer (ou turismo) – como FERRAMENTA.

 

Fala-se, também, sobre os mochileiros (ou backpackers). José Vieira Camelo Filho diz que:

“Na verdade não existe uma definição clara para estes personagens, de modo geral são chamados ‘pé na estrada’, aquela pessoa que viaja por aí, fora dos esquemas convencionais. O pé na estrada prefere viajar sozinho ou em pequenos grupos de pessoas.”

Outra autora, Fabiana Caso, também escreve sobre os mochileiros:

“Os mochileiros não constam das estatísticas da Embratur e não constituem nenhum público-alvo para as empresas turísticas, porque estes não querem nada com os hotéis e nem compras exorbitantes. Desejam mergulhar na cultura do lugar visitado. Eles buscam aventura, experiências e cultura, os viajantes independentes desprezam a ‘superficialidade’ dos pacotes turísticos de agências.”

 Achei tal descrição um tanto quanto rude em relação aos mochileiros mas que aponta algo bastante curioso: o fato de a Embratur (Empresa Brasileira de Turismo) não considerar o turismo de mochileiros devido ao seu pequeno gasto. Quer dizer então que Turismo virou sinônimo de Consumo Excessivo? E até que ponto podem afirmar que os mochileiros não constituem NENHUM público-alvo para as empresas turísticas sendo que os ALBERGUES e ACAMPAMENTOS se mantêm em parte devido aos mochileiros que vão em busca de hospedagens mais baratas? Fica aqui mais um questionamento a se pensar.

Ah! E enquanto o movimento é desprezado aqui no Brasil, na Austrália, onde tal mercado é desenvolvido, os mochileiros movimentaram mais de 4 bilhões de dólares nos anos 1997, 1998 e 1999.

De acordo, ainda,  com a autora Fabiana Caso, o mercado convencional se concentra nas cidades turísticas, enquanto o mochileiro viaja por todo país e procura lugares em que o turismo de massa não chegaria. Ele viaja também para as cidades mais famosas, mas individualmente, nunca em grupos montados por Agências como a CVC, entre outras.

Conclusão: o mochileiro é um desbravador de novos destinos turísticos. Através de sua busca de liberdade e aventura ele chega a novos lugares, que poderão ou não se tornar destinos turísticos e, após a implantação de infra-estrutura turística, talvez passem a ser produtos turísticos.

Percebe-se ainda que o mochileiro, que tem um espírito aventureiro, busca novos desafios, é um turista ideal, político e socialmente correto, porque busca conhecer de fato o lugar, a cultura, respeita o meio ambiente e consome coisas do lugar, aceita a hospedagem rústica sem mudar os hábitos do morador e incentiva as manifestações culturais locais. Em geral, fotografa ou registra em seus diários fatos reais das localidades desconhecidas.

Anúncios

Ações

Information

3 responses

27 08 2007
bernardoporfirio

Olá Carol,

Inicialmente obrigado pela citação. Sobre os mochileiros, pode-se afirmar que o retorno financeiro imediato, devido a sua baixa capacidade aquisitiva, desestimula qual quer um. No entanto, não deve ser desprezado, já que a longo prazo – tendo o destino sido interessante a ele(a) – sua volta em um momento de melhor poder aquisitivo acontecerá. Em outras palavras, o turismo mochileiro abre portas!

2 01 2011
Os números de 2010 « Ludicidade, vida e emoções

[…] Turismo da Juventude – Maria José Giaretta – Parte I agosto, 2007 1 comentário […]

7 04 2011
Maiara

Oi, gostaria de saber mais sobre turismo da juventude, o que é! faço hotelaria e preciso disso pra fazer meu tcc, alguem pode por favor me dar uma ajudinha com isso??

Obrigada, Maiara!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s




%d blogueiros gostam disto: